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Santa Sara e os Ciganos – 40 Fatos e Curiosidades Sobre Santa Sara e os Ciganos

Santa Sara e os Ciganos - 40 Fatos e Curiosidades Sobre Santa Sara e os Ciganos

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É impossível falar de Santa Sara sem falar dos ciganos e há muito o que se dizer sobre eles. Muitos fatos e até mesmo curiosidades fazem parte da cultura cigana e da devoção à Santa Sara.

Sendo assim, confira, à seguir, de forma numerada, algumas informações interessantes que podem ter passado despercebido para você sobre esta santa e o povo que a cultua com tanto amor e dedicação.

01) Santa Sara Kali é a padroeira dos roma (ciganos).

02) A imagem de Santa Sara fica na cripta da igreja de Saint Michel, onde estariam depositados seus ossos.

03) Fontes variam se sua canonização consta de 1712, ou se é uma santa regional.

04) As pessoas fazem todo tipo de pedido para Santa Sara, por sua fama de atender todos os que depositam verdadeira fé nela. Santa Sara é a santa dos desesperados, dos ofendidos e dos desamparados.

05) Santa Sara foi amparada por um grupo de ciganos, o qual ela se dedicou em ajudar durante o resto de seus dias e, por isso tornou-se a santa padroeira desse povo.

06) A festa de Santa Sara é celebrada nos dias 24 e 25 de maio, reunindo ciganos de todo o mundo.

07) Santa Sara também é conhecida como Sara la Kali.

08) O centro de veneração de Santa Sara é Saintes-Maries-de-la-Mer, um local de peregrinação para os ciganos, em Camargue, no sul da França.

09) Embora a tradição das Três Marias que chegam à França provenha da alta Idade Média, aparecendo, por exemplo, na Lenda de Ouro do século 13, Santa Sara fez sua primeira aparição no livro de Vincent Philippon, A Lenda das Saintes-Maries (1521), onde ela é retratada como “uma mulher caridosa que ajudava as pessoas coletando esmolas, o que levou à crença popular de que ela era uma cigana“. Posteriormente, Sara foi adotada pelos ciganos como sua santa.

10) O thriller de 1970 de Alistair MacLean, Caravan to Vaccarès, se passa durante a peregrinação a Saintes-Maries-de-la-Mer.

11) Czon, o artista sueco, fez um retrato de Sara La Kali fora da igreja em “Saintes Maries de la Mer”, em 2018.

12) A estátua de Santa Sara faz uma aparição no filme Latcho Drom (Viagem Segura) de Tony Gatlif, de 1993, onde é carregada para o mar e sua aterrissagem é reconstituída.

13) Em Korkoro, também um filme de Tony Gatlif, os Romani (ciganos) frequentemente oram a Santa Sara com intenso fervor.

14) “Opchá, Opchá, Santa Sara Kali” é a forma mais comum de saudar Santa Sara.

15) Alguns ciganos brasileiros e seus descendentes podem comparecer a cerimônias ciganas e umbandistas para receber comunicações psíquicas de seus ancestrais.

16) Desde que foram expulsos de Portugal no século 16 e até o final do século 20, os ciganos brasileiros foram perseguidos por seus vizinhos, pela igreja e pelo governo, como forasteiros, hereges, vigaristas, ladrões e bárbaros. O Brasil é atualmente o lar de quase um milhão de ciganos, uma das maiores comunidades do mundo.

17) Até o final do século 20, havia muito poucos relatos realistas da vida cotidiana dos ciganos brasileiros.

18) Parte dos ciganos se autodenominam católicos, principalmente a maioria dos ciganos do Brasil, mas não passam muito tempo em igrejas, exceto em casamentos e funerais.

19) Vários elementos da cultura Romani contribuíram para a mitologia dos ciganos na Umbanda.

20) As tradições Romani não se preocupam com traumas históricos. Esquecer as calamidades do passado é um truque na arte de viver e sobreviver: nas palavras de um provérbio Romani, “é mais importante comer pão do que saber como foi feito”. Essa mentalidade voltada para o futuro, além da leitura das mãos, popular entre seus vizinhos brasileiros, garantiu aos ciganos um papel único como videntes na umbanda.

21) O folclore Romani que elogia a liberdade e chama o mundo inteiro de sua pátria contribuiu para uma visão utópica dos ciganos como nômades eternos, livres para escolher seus caminhos sem fim.

22) O espírito dos ciganos, à semelhança dos personagens do folclore cigano, desfruta de refeições festivas com vinho e doces, cantando, dançando e tocando música.

23) Nenhuma imagem negativa é encenada nas cerimônias de incorporação da Umbanda. Ao contrário, os espíritos ciganos aparecem na Umbanda como ‘Filhos do Vento’, retratados como estereótipos românticos de viajantes eternos e livres, conhecedores dos amores, videntes, festeiros e grandes músicos. Os ciganos de umbanda apresentam um caso raro de xenofilia cigana que vai muito mais fundo do que o fascínio europeu pelos mistérios ciganos.

24) Ciganos, no contexto da Umbanda, simbolizam liberdade, beleza e a promessa de um futuro melhor. A magia, a música, a dança e o canto da Umbanda levam a uma realidade alternativa e fornecem aos seus praticantes ferramentas para a autodescoberta espiritual.

25) Os ciganos possuem uma bandeira própria, composta de três cores: azul, que representa a liberdade, verde, que representa a natureza, e uma roda de carroça vermelha no centro, que representa o caráter itinerante dos ciganos.

26) Os ciganos estão divididos em três grandes grupos: sinti, rom e calon. Os mais encontrados no Brasil são os rom e os calon.

27) Em 24 de outubro de 2012 foi inaugurado memorial em homenagem aos cerca de meio milhão de ciganos assassinados pelo regime nazista. O governo alemão só reconheceu o genocídio em 1982. Os nazistas consideravam os roma racialmente inferiores, como os judeus, e realizaram uma campanha sistemática de opressão contra eles.

28) Cerca de cem ciganos comemoram o dia de santa Sara Kali, no Rio de Janeiro, celebrado em 24 de maio.

29) O ex-presidente Washington Luís (1926 – 1930) era descendente de ciganos. Segundo site do Arquivo Público do Estado do Espírito Santo, “foi a primeira personalidade brasileira de origem cigana a governar o Brasil (era descendente da etnia kale/calon)“.

30) O ex-presidente Juscelino Kubitschek (1956-1961) também era descendente de ciganos. Seu bisavô materno era um tcheco da etnia rom e desembarcou no Brasil em 1830, segundo a escritora Mônica Buonfiglio. “Embora não mencionada em sua biografia, esta afirmação tem apoio de antropólogos, historiadores brasileiros e europeus que se basearam em relatos orais de amigos ciganos residentes em Contagem (MG)”. Segundo artigo do CCC (Centro de Cultura Cigana), em Juiz de Fora, “a decisão de construir Brasília passou por uma “consulta” debaixo de uma tenda cigana”. Outros descendentes de ciganos famosos no país: Castro Alves e Cecília Meireles.

31) Alguns antropólogos viram semelhanças entre o culto de Sara Kali com algumas procissões na Índia (local de origem dos ciganos) dedicadas à deusa Durga, também chamada de Kali, onde mergulham a estátua da deusa em água ou vinho (dependendo do dia). Além disso, Kali é rotineiramente retratada como uma mulher negra. Segundo essa teoria, Sara Kali seria a cristianização de um culto secular dos ciganos trazido da Índia.

32) Todo dia 24 de maio, mais de 10.000 peregrinos e romeras – principalmente ciganos de grupos como manouches e gitans catalans – de toda a Europa vão a Saintes-Maries-de-la-Mer, no sul da França, para venerar Santa Sara.

33) O Dia Nacional do Cigano, criado em 2006, é comemorado em 24 de maio, no mesmo dia em que se homenageia a sua padroeira Santa Sara Kali.

34) Santa Sara sempre recebe lenços em sua imagem quando alguma graça é alcançada por um devoto.

35) A devoção dos ciganos é também devido a fé das mulheres desse povo com essa Santa, pois diz-se que Sara foi a responsável pelo auxílio à Maria Santíssima no momento do nascimento do menino Jesus.

36) Os ciganos exerciam as mais diversas profissões, além de “ler a sina” (leitura de mãos), principalmente no trabalho com metais (caldeireiros, ferreiros, latoeiros e ourives), e no comércio de cavalos.

37) Na sua maioria, os ciganos vieram de Portugal como degredados e perseguidos pela inquisição. Primeiro para o Maranhão, no século XVI, e depois no século XVII, durante o reinado de D. João V, quando os ciganos foram muito perseguidos.

38) Dos ciganos no Brasil sabemos muito pouco, até hoje. Entre o estigma e o fascínio, ainda prevalece a imagem dos ciganos como desclassificados, supersticiosos, imisturáveis, ladrões de crianças, com uma ótica depreciativa sobre seus hábitos e costumes; ao mesmo tempo, um povo amante da liberdade, mágicos e misteriosos. Vinculados a um conjunto de estereótipos, predominantemente negativos, os ciganos foram historicamente identificados como tendo uma natureza “perigosa”.

39) Santa Sara é considerada provedora de sorte, amor, saúde, fartura e vida longa.

40) Uma tradição cristã bastante antiga identifica Santa Sara como a servente de uma das três Marias que acompanharam Jesus Cristo na via dolorosa e permaneceram firmes ao lado dele até o momento de sua crucificação e morte.

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